Estudo mostra importância do Napne na educação inclusiva no Câmpus Goiânia
Realizada por um dos alunos atendidos pelo núcleo, pesquisa propõe ações que podem auxiliar o fortalecimento do Napne
O Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne) do Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás foi objeto de estudo do trabalho de conclusão de curso do licenciando em História da Instituição, Bernardo Santos Riquelme. O estudante levou em consideração a criação, estruturação e funcionamento do núcleo. Diagnosticado com transtorno do espectro autista nível 2 de suporte, ele foi acompanhado pelo Napne desde o seu ingresso no curso. Sua pesquisa mostra avanços significativos na institucionalização do núcleo, mas aponta também desafios enfrentados nos serviços prestados aos discentes com necessidades educacionais específicas.
O estudo se embasa em documentos institucionais em relação à instituição e incremento do Napne no IFG, além de legislações referentes à inclusão e permanência de alunos com necessidades específicas. Como contribuição, a pesquisa reforça a importância do núcleo na promoção da inclusão educacional e evidencia a necessidade de aprimoramento das políticas institucionais voltadas a esse tipo de serviço.
Ao analisar os documentos relacionados ao Napne, o pesquisador conclui que o núcleo teve um crescimento progressivo, em relação à equipe, fortalecendo a capacidade de atendimento às demandas dos estudantes. Contudo, a instabilidade da equipe impacta a continuidade de ações e compromete a implementação de políticas inclusivas de longo prazo. Atualmente o Napne do Câmpus Goiânia é composto por uma comissão multiprofissional de servidores efetivos, estagiários, monitores e voluntários.
Entre os problemas encontrados na pesquisa estão a alta rotatividade dos membros, a falta de planejamento sucessório e ausência de diretrizes padronizadas para a nomeação de profissionais. Diante desses desafios, o estudo sugere que o IFG estabeleça critérios padronizados para nomeação e permanência dos membros da equipe, garantindo assim maior estabilidade e continuidade das ações desenvolvidas. Reforça ainda a necessidade de um planejamento estratégico que contemple diretrizes claras para a gestão do Napne, incluindo metas de curto, médio e longo prazos, bem como um plano de sucessão quanto à coordenação.
Professora Soraya Bianca, orientadora da pesquisa, e Bernardo Santos Riquelme, concluinte do curso de Licenciatura em História e autor da pesquisa
De acordo com Bernardo, a escolha do tema da pesquisa partiu justamente pela importância do Napne em sua formação acadêmica. Ele conta que foi diagnosticado pelo então médico psiquiatra do câmpus, Gustavo Amaral, e o acompanhamento foi realizado tanto pelo núcleo quanto pela coordenação de assistência estudantil da Instituição. Segundo o estudante, o suporte oferecido pelo Napne, ainda que com limitações, foi essencial para sua permanência na Licenciatura em História, uma vez que a atenção dada ao aluno e as adaptações feitas ao longo de sua jornada acadêmica permitiram seu desenvolvimento e avanço. “Espero que esse trabalho traga mais atenção e carinho pro Napne e pros profissionais maravilhosos que o compõem, com valorização, políticas voltadas pra inclusão e remuneração desses profissionais. Meu sonho é ter o IF como referência na inclusão de estudantes com necessidades específicas”, acredita.
No posfácio do estudo, Bernardo finaliza dizendo: “meu caso demonstra que, mesmo diante das fragilidades institucionais, o Napne tem potencial para transformar realidades. Espero que este trabalho contribua para a reflexão sobre a importância desse núcleo [...]”.
A pesquisa foi orientada pela professora do Câmpus Goiânia e membro do Napne, Soraya Bianca Reis Duarte Gomes. Ela avalia que a própria trajetória do aluno evidencia como o apoio recebido do Napne foi determinante para sua permanência e conclusão do curso, demonstrando que o núcleo vai além de um espaço administrativo institucional e se revela um espaço para garantir equidade no ensino. “Como professora colaboradora do núcleo desde sua fundação, tive a oportunidade de acompanhar essa experiência de perto e orientar a pesquisa, o que reforçou ainda mais minha percepção sobre a necessidade de apoio contínuo para estudantes com necessidades educacionais específicas. […] Embora o NAPNE enfrente desafios, seu papel na construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo é inegável. A experiência desse aluno confirma a relevância do núcleo e ressalta a necessidade de aprimorar e expandir seus serviços, assegurando que um número ainda maior de estudantes possa se beneficiar de um suporte efetivo e de uma educação verdadeiramente acessível”, conclui.
Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia.
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